adendo ao post anterior
Estava eu voltando do almoço, comendo o meu NOVISSIMO TALENTO AVELÃ e não pensando em mais nada porque o negócio é tão bom que se eu não fosse monoteísta, ergueria um altar aos seus criadores. Então, como eu dizia antes de viajar na avelã (tô me sentindo o esquilo do Era do Gelo), eu estava voltando do almoço quando peguei o elevador e ele parou no 11. Um sorridente moço de uns 35 anos, muito bonito e com marcas da adolescência (espinhas), aparece e vai entrando. Eu digo a ele que o elevador está subindo e ele diz que não há problemas, que ele passeia um pouquinho. Eu sorrio. Ele diz que este elevador engana e que ele diz que está descendo mas sempre sobe. Eu, sorrindo de novo e olhando o moço (até esqueci do chocolate), digo a ele que em 3 anos o elevador nunca me enganou e que o problema é pessoal, que o elevador não gosta dele. Nós rimos, eu saio e esquecemos antes que eu termine de digitar este texto... qual é a moral da história? Eu não perguntei e nem ele me contou que está um frio lascado em SP!
Smalltalk

Você também não odeia aqueles convites vazios do tipo “passa lá em casa”? A cada vez que escuto um desses eu quero morrer... ou matar, depende da oportunidade.

Sempre fui ruim naquilo que os americanos chamam “smalltalk”, sou péssima em jogar conversa fora com “semi-estranhos”, sou péssima em falar trivialidades e em perguntar como vai sua família, seu trabalho e seu cachorro, mesmo que eu realmente me importe. É o fim você encontrar alguém na rua, no elevador ou em qualquer lugar e, após o costumeiro “bom dia, como vai”, ter que pensar em perguntas ou comentários, como o clássico “parece que vai chover...” entre outros tantos que não tem outro propósito senão puxar assunto com pessoas que você não conhece bem o suficiente para ser natural. Eu tenho uma dificuldade extrema em preencher as lacunas dos 12 andares de minhas viagens verticais com conversas sobre o tempo, a “correria” e sabe-se lá mais o que.

Não estou exigindo conversas profundas sobre espiritualidade, política e nem mesmo vou abrir o meu coração para meus quase desconhecidos e contar da minha última desilusão amorosa, mas apenas reivindico meu direito de ficar calada em momentos como este e de não prosseguir com a prosa quando se trata de um assunto desinteressante e desnecessário. Fosse uma piadinha levinha sobre algo que acaba de acontecer, como os dedos gelados que não são reconhecidos pelo botão que indica o andar, vá lá, mas dizer que hoje ta frio é o mesmo que chover no molhado (com o perdão do quase trocadilho!). 

Entendo que os andares intermináveis que nos separam de nosso destino, seja ele a porta da rua, a segurança de nosso lar ou a cadeira do dentista, podem causar em alguém o sentimento de solidão e até mesmo identificação com quem está trancado no mesmo cubículo prata que você, como hoje em meu horário de almoço. Tenho encontrado o mesmo rapaz alto, negro e magro no elevador esses dias. O cara é bem o meu tipo, por vista, é claro, porque não sei quem ele é. Deu até uma vontade de falar alguma trivialidade, pra que pelo menos a voz denunciasse alguma coisa sobre o moço, mesmo que fosse apenas sobre sua opção sexual, mas eu não sou disso e detesto isso, então me limitei a responder ao “oi” que até ontem era bom dia, com um “oi” da mesma medida. Eu não ousaria derrubar alguma correspondência para que nos abaixássemos juntos, nem pediria para ele “alcançar o 12” com a desculpa das luvas, nem armaria nenhuma situação de aproximação. Se um dia a gente tiver um motivo, a gente vai conversar e vai se conhecer, porque seria insuportável pra mim começar qualquer tipo de relacionamento, com qualquer pessoa, com base em algo falso, por mais romântico que isso possa parecer.

Então eu peço, encarecidamente, não comente sobre o tempo, não me diga “passa lá em casa” e não peça pra eu te ligar ao se despedir. Se você tem meu telefone e quer falar comigo é simples: me liga você. Se não tem meu número, peça. Se quiser que eu vá a sua casa diga: vai à minha casa na terça pra gente conversar? A gente pode pedir lombo empanado, yakissoba e ver fotos antigas... O mesmo princípio vale se você quer me conhecer, ou se você me conhece e está distante, ou se você fez besteira e quer se desculpar. Seja criativo sem ser falso ou mentiroso e vá ao ponto, porque eu demoro bastante pra desculpar quem me engana, mesmo que o motivo pareça nobre.
[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, publicidade, evangélica
MSN - owner_absurdos@hotmail.com

 
Visitante número: